Hepatites

O que são hepatites?

Hepatite é o nome para uma inflamação do fígado que compromete seu funcionamento normal. Pode ser causada por diferentes vírus, bactérias, álcool, drogas e alguns medicamentos. Nas Hepatites Virais os vírus são classificados por letras do alfabeto: A, B, C. D e E, sendo os tipos A, B e C os mais comuns. Os vírus da hepatite B e C podem causar inflamação do fígado, insuficiência hepática, câncer de fígado e morte. A hepatite B é a causa mais comum de câncer de fígado no mundo, enquanto a hepatite C crônica é a principal causa dos transplantes de fígado.

 

Quantas pessoas vivem com hepatite?

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo já tiveram contato com o vírus da hepatite B, e que 325 milhões tornaram-se portadores crônicos. A infecção pelo vírus da hepatite C acomete aproximadamente 3% da população mundial, o que representa cerca de 170 milhões de indivíduos com infecção crônica e sob o risco de desenvolver complicações da doença.

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que pelo menos 15% da população já esteve em contato com o vírus da hepatite B e que 1% da população apresenta doença crônica relacionada a este vírus.

 

Por que devo me preocupar as hepatites?

A hepatite A geralmente desaparece sem a necessidade de qualquer tratamento. Não se pega hepatite A duas vezes. As hepatites B e C podem atacar de forma aguda ou crônica. A forma aguda pode durar semanas ou mesmo uns poucos meses. Se a doença se transforma em crônica (de longa duração), ambos os tipos podem levar à insuficiência hepática e morte.

Importante: é mais provável que a infecção por hepatite B se torne crônica em alguém que é HIV +. 

 

Como se pega hepatite?

A hepatite A é altamente contagiosa e é transmitida de pessoa para pessoa através de água ou alimentos contaminados e fezes. A doença é mais transmissível antes dos sintomas aparecerem, nas duas primeiras semanas após a exposição ao vírus - o que significa que as pessoas podem transmitir a hepatite A mesmo sem saber que a tem.

Lavar mal as mãos e usar suprimentos de água contaminados podem facilmente transmitir hepatite A, bem como os vários tipos de sexo anal, como o fistar ou introduzir dedos, fazer cunete e penetrar. O contato com algo que esteve em contato com o ânus de uma pessoa infectada também pode transmitir o vírus. Isso significa que compartilhar brinquedos sexuais, beijar alguém que acabou de fazer cunete e chupar alguém que penetrou outro parceiro pode oferecer risco para a transmissão da hepatite A.

A hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível, podendo ser transmitida por meio de relações sexuais desprotegidas, pois o vírus encontra-se no sêmen e secreções vaginais. Também pode ser transmitida por meio de intervenções odontológicas e cirúrgicas, hemodiálise, tatuagens, piercings que sejam realizados sem as medidas de biossegurança recomendadas; transfusão de sangue e derivados contaminados; uso de drogas com compartilhamento de seringas, agulhas ou outros equipamentos; transmissão vertical (mãe para filho); aleitamento materno e acidentes com materiais perfurocortantes contaminados. É possível, embora raro, que a hepatite B seja transmitida através do sexo oral. Atualmente, as transfusões raramente são causa de infecções pelo vírus da hepatite B no Brasil, devido ao controle de qualidade na triagem para o abastecimento dos bancos de sangue. 

Constituem populações de maior risco para a infecção pelo Vírus da hepatite C, pessoas que receberam transfusão de sangue e/ou hemoderivados antes de 1993; usuários de drogas injetáveis, inaladas ou pipadas, que compartilham equipamentos contaminados como agulhas, seringas, canudos e cachimbos; pessoas que compartilham equipamentos não esterilizados ao frequentar pedicures, manicures e podólogos; pessoas submetidas a procedimentos para colocação de piercing e confecção de tatuagens; pacientes que realizam procedimentos cirúrgicos, odontológicos, de hemodiálise e de acupuntura sem as adequadas normas de biossegurança. A transmissão perinatal, ainda que não eficiente, é possível e ocorre quase sempre no momento do parto ou logo após. 

Pessoas que usam ou compartilham agulhas e outros utensílios para o consumo de drogas injetáveis contaminados com sangue (algodão, panelas ou vasilhames, colheres) podem ser infectadas com o vírus da hepatite C. Hoje, a maioria dos casos de hepatite C na população em geral é resultado de transfusões de sangue no passado. Os testes de diagnóstico estão disponíveis em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Testes Rápidos para hepatites Virais B e C podem ser realizados nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) distribuídos por todo Brasil. O risco de transmissão através do sexo oral e anal é desconhecido, mas provavelmente muito baixo.

 

Quais são os sintomas?

Dentro de todos os três tipos de hepatite - A, B, C - a gravidade e o tipo de sintomas varia muito. Muitas pessoas não têm sintomas. Se você tem sintomas, eles podem incluir dor de estômago fadiga, amarelamento da pele ou dos olhos (icterícia), urina escura (cor de coca-cola), fezes esbranquiçadas e/ou febre.

Na hepatite A, os sintomas geralmente aparecem entre 2 e 6 semanas após a infecção. Na hepatite B, os sintomas aparecem entre 6 semanas e 6 meses após a exposição ao vírus. Sintomas da hepatite C, se houver, vão aparecer de 2 semanas a 6 meses após a exposição. Os sintomas podem ser breves ou durar várias semanas.

 

Como funcionam os exames para diagnosticar as hepatites?

A hepatite é diagnosticada através de um exame de sangue para detecção de anticorpos. O vírus da hepatite A pode ser detectado tão cedo quanto o início dos sintomas. No caso da hepatite B, geralmente leva entre 3 semanas e 2 meses para os anticorpos aparecerem no sangue. O tempo médio para uma pessoa com hepatite C desenvolver anticorpos é de 8 a 9 semanas após a exposição ao vírus.

 

Como a hepatite é tratada?

O tratamento geral para todos os tipos de hepatite precoce é o repouso e a ingestão de líquidos. A ingestão de líquidos é importante para evitar a desidratação. Evitar o álcool é fortemente recomendado para reduzir ainda mais os danos ao fígado. hepatite A e formas agudas de B e C desaparecerão com este tratamento, embora a recuperação possa demorar vários meses.

A infecção crônica pelo vírus da hepatite B pode ser fatal. Não há cura, mas os tratamentos estão disponíveis para ajudar a parar a replicação do vírus. A hepatite C é tratável. Novos estudos demonstraram que cerca de 50% das pessoas que se submetem a um ano de tratamento podem ser curadas. O tratamento varia dependendo do estágio da doença. Seu médico pode ajudar a tomar as melhores decisões sobre o seu tratamento com base nas suas necessidades pessoais e no seu estado de saúde.

O governo oferece, sem custo, sete medicamentos para o tratamento da hepatite B (Adefovir, Entecavir, Interferon-alfa, Interferon-alfa peguilado, Lamivudina e Tenofovir); e cinco medicamentos para a hepatite C (Boceprir, Interferon-alfa, Interferon-alfa peguilado, Ribavirina, Telaprevir). A infecção pelo vírus da hepatite A é na maioria das vezes benigna, com remissão espontânea, sem necessidade de tratamento medicamentoso.

 

O que posso fazer se já tenho hepatite?

A coisa mais importante é evitar o uso de álcool e de outras drogas, incluindo medicações como o Paracetamol (o ingrediente ativo do Tylenol), pois podem danificar ainda mais o seu fígado. Em geral, você deve adotar uma alimentação saudável, descansar bastante e praticar exercícios moderados. Você precisará consultar o seu médico regularmente para trabalharem juntos no tratamento. Não tome quaisquer novos medicamentos, incluindo aqueles fitoterápicos, à base de plantas ou sem receita, sem falar primeiro com seu médico.

Se você sabe que tem hepatite B, você pode proteger os outros, usando preservativos durante as relações sexuais.

 

O que posso fazer para evitar as hepatites?

A vacinação contra hepatite B é a maneira mais eficaz na prevenção de infecção aguda ou crônica, e também na eliminação da transmissão do vírus. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacinação da hepatite B para todas as pessoas até os 49 anos de idade e também para populações vulneráveis em todas as faixas etárias. Entre estas, incluem-se: manicures e pedicures; profissionais do sexo; pessoas que fazem sexo com pessoas do mesmo sexo; caminhoneiros; policiais militares e civis; doadores de sangue; coletadores de lixo domiciliar e hospitalar; profissionais de saúde. A vacina é administrada em três doses e sua eficácia é alta. Para garantir a eficácia é necessário que as pessoas recebam as três doses.

Se você ainda não foi vacinado e faz sexo anal, pode reduzir significativamente o risco de contrair hepatite se usar preservativos lubrificados. Para o sexo oral-anal mais seguro, use filme plástico ou barreiras (pedaços quadrados de látex).

A vacina para hepatite A está disponível no SUS, até o momento, nos Centros de Imunobiológicos Especiais (CRIE) para pessoas com algum acometimento no fígado crônico, imunodepressão ou situações especiais que preencham os critérios para as indicações do Ministério da Saúde.

Atualmente, não há vacinas contra a hepatite C. Se você tem hepatite C, pode proteger outras pessoas não doando sangue, órgãos, tecidos ou sêmen. Também cubra cortes ou feridas que você tenha, evitando que sangue ou outras secreções contaminadas se espalhem no ambiente. Não compartilhe itens de higiene pessoal, como lâminas de barbear ou escovas de dentes. Não compartilhe agulhas ou quaisquer outros utensílios para o uso de drogas injetáveis. Atualmente, não se recomenda o uso do preservativo com parceiros infectados pelo vírus da hepatite C, no entanto, existem muitas outras razões para você usá-los regularmente.

Além disso, lave suas mãos e seus brinquedos sexuais o mais rápido possível depois do contato com o ânus.